sexta-feira, 24 de agosto de 2007

ACABOU

Se o toque não arrepia
Nem o abraço alivia
Não entre na utopia
De que ainda há amor

Se o sorriso não traz alegria
Nem ver seu rosto ilumina o dia
Não diga que agüenta a monotonia
De viver sem sentir calor

Se suas palavras não dizem nada
E você se sente parada
Com um vazio ao seu lado
A sensação de não ter tentado
E tudo modificado
Pra viver ainda um grande amor

Se os gestos são tão vazios
Que me faz pensar assim
Que tudo chegou ao fim
Na história de nós dois
Faço então, alguma coisa por mim

A distância que hoje existe
E todo dia insiste
Em afirmar que o tempo levou
O que de mais lindo existiu
Um universo então nasceu
Entre você e eu

Dormir ao seu lado
Hoje não tem mais emoção
O sono fala mais alto
Do que qualquer intenção

Saber que tudo mudou
E o nosso amor acabou
Traz um gosto amargo
Mas, no momento em questão
O melhor é a solidão


Silvia Batista

BEM-TE-VI


Bem-te-vi, bem-te-vi
O pássaro pela manhã canta
E aos meus ouvidos encanta
Que nem preparados estão
Para ouvir sua canção

Bem-te-vi, bem-te-vi
Fico a escutar
E a me questionar...
Por que cantas tão alto? Tão cedo?
Ó pássaro delicado?

Bem-te-vi, bem-te-vi
A natureza não cala
E o animal continua sua fala
Em círculos faz sua jornada
Seus vôos extremos e rasantes
Num som tão delirante
Brindando toda a manhã

Imagino então em meu mundo
Por onde andastes pequeno
De longe ainda te escuto
Transformando um simples momento
Em algo extremamente puro

Passando por várias cidades
Já fostes a tantos lugares
E hoje encantas aqui
Me sinto privilegiado
De hoje ter te encontrado
E com teu som ter me acordado

Bem-te-vi, bem-te-vi
Agradeço à natureza
Ao Pai, que proporcionou sua beleza
E me deixar testemunhar
Toda a sua presteza

Vai livre meu Bem-te-vi
Continua os teus caminhos
Contagia outros amigos
Com tua alegria de existir


Silvia Batista

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A LÍNGUA DO AMOR


A língua do amor é aquela que não fala
Cala...na hora da dor
A língua do amor é aquela que não toca
Sente.....não sufoca.
Lágrima que escorre...
De alegria, felicidade
Ou simplesmente saudade

A língua do amor é aquela que não diz
Aprende...
Saudade de segundos
Sorrisos, gestos
Complexos.....
Não domina...apenas ensina

Coração que dispara
Pensamento de uma beleza rara
Que não precisa ser bonito, estético
E muitas vezes, te faz...patético
Mas, não por insensatez
E sim... por amar sem lucidez....

Sentimento sem explicação
Todos falam: “Vem do coração”
Mas, do órgão não....
Da alma...que de tranqüila e calma
Transforma em picante, delirante....

A língua do amor é universal
Inglês, Francês....ou Português
Todos sabem que é viral
Te pega...te faz cortês
Deixa de cama
Suor no corpo
Frio na espinha...
Mãos geladas....
É uma cilada?

Não...ela é vital
Abre caminhos
Sonhos....desalinhos
Te faz vivo, cheio de loucuras
Por prazer.... e por fissuras
Às vezes....amarguras

Mas o que mais importa
É que basta um minuto
Alguém batendo à porta
Para que a felicidade
Aquela tão querida
Dure um minuto de eternidade

Eu fico então a pensar
Eterno...não é o amor
Eterna..é a capacidade de amar.
De esperar.......

Silvia Batista

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

PAI


Quando criança acordava
De noite ao despertar
Eu sempre me perguntava
“Onde ele pode estar?”

De dia...te procurava
Muitas vezes...não encontrava
E novamente me perguntava:
Se me serve de consolo
Um minuto em seu colo
“Porque você tem que viajar?”

A inocência não deixava
Que eu visse a verdade
De um pai que se esforçava
Pela família com dignidade

Noites frias e perigosas
Pela estrada ele seguia
Mal dormia e contra o tempo
Toda hora ele corria

No momentos importantes
Sua ausência me marcava
Porque sempre se preocupava
Em cumprir com a obrigação
E razão sempre falava
Mais alto que o coração

Um dia, na minha escola
O meu jogo foi assistir
Fiz questão de falar a todos
Que meu pai estava ali

Joguei com muito esforço
Pois não queria fazer feio
E no seu sorriso e aplauso
Toda a satisfação veio

Hoje fico orgulhosa
Me sinto até....premiada
De ter um pai tão diferente
Pois era da distância que ele ficava
Que nada faltava pra gente

Te amo meu pai querido
Com toda a força do coração
Hoje sua ausência faz todo o sentido
Seu esforço, sua dedicação
Pois seus cinco filhos criados
Foram surpreendentemente amados
Muito além da compreensão

Silvia Batista

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

O BARULHO DE UMA LÁGRIMA

O barulho de uma lágrima
Traduz a dor de um coração
Que machucado se encontrava
Por uma covarde traição

O barulho de uma lágrima
Som ensurdecedor
Só escuta o pensamento
De quem perdeu um grande amor

O silêncio que me cerca
Faz barulho no meu ser
Um corpo que não se aquieta
Magoado pelo viver

Confiança despedaçada
Atitudes impensadas
Por um minuto de prazer

Porém, o amor que é verdadeiro
Nunca será traiçoeiro
Iludido, aturdido ou apenas...encrenqueiro

Será amável, companheiro
Trará luz e toda verdade
Doce, puro feito mel
Com sabor de felicidade
Levando-me até o céu

Aquele rosto que te encantou
Uma noite só durou
E por meu amor não ter valorizado
Talvez você fique frustrado

E como já dizia minha avó
Sabiamente em suas preces
Quando a cabeça não pensa
É o corpo quem padece....


Silvia Batista.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

VÔO 3054

Longe de casa todos estavam
Com saudades e alegria
Para casa eles voltavam

Um viagem bem tranqüila
Sem perturbações nem contratempos
Afinal...era mais um dia
Igual para muitos.....a outros momentos

O co-piloto experiente, o piloto ainda mais
Não imaginavam que em poucas horas
O futuro chegaria
Com tanta dor e sofrimento
E num sopro os levaria

A tragédia aconteceu
Um barulho enorme veio
A noite se fez dia
E o dia anoiteceu

Autoridades imparciais
E a culpa não chegou
Um acusa o outro
O outro se esquivou
Responsabilidade sobre vidas
Nenhum órgão cogitou

Famílias foram cortadas ao meio
Lágrimas, gritos de dor
Nenhuma explicação veio
E a lista de passageiros
Com muita falta de respeito
A Empresa não entregou

Tantas horas se passaram
E a tragédia noticiada
Homens, mulheres e crianças
A imprensa escrita e falada
Suas mortes anunciava

O dia seguinte amanheceu
Todos chocados pelo golpe
De nunca mais ver seus amados
O país ainda revoltado
Por na verdade com inocentes
Um país inteiro ter falhado

Se algo pudesse ser feito
Se algo pudesse mudar
Mas, as vidas já se foram
Esse fato não se pode negar

Que ao menos sirva de lição
Tantas vidas desperdiçadas
Futuros de muitos interrompidos
E para que ao menos se faça sentido
Esperamos punição

Silvia Batista

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

FELICIDADE

Sinto que o tempo passou
O olhar daquela criança também
Mas, o que ficou?
Aflição, dor, ou desalento
Quanto lamento

Sinto que estou aqui
Mas, é a mente
Ou apenas o corpo?
Que desconforto....

No sorriso de uma criança
Há inocência pura
E nos gestos mais inesperados
Um beijo no rosto
Um abraço apertado

Sentimento...palavra que pode significar tudo
Ou um momento
De amor.....ou sofrimento
Quem sabe?

O que se busca na verdade
É a completa felicidade
Mas, é utopia...fantasia?
Ou ainda um estado real
Não me leve a mal

Não duvido em ser feliz
Acredito na felicidade
Mas....não na completa
Apenas... na incerta
Que hoje vem, te enche os olhos
E amanhã te parte o coração
Pois é ilusão
Acreditar no merecimento
De um pleno sentimento
Que pelo pouco que fica
Te enche de emoção.


Silvia Batista